A mosca-branca (Bemisia tabaci Gennadius, 1889) é um inseto da ordem Hemiptera, família Aleyrodidae, de ampla distribuição geográfica e elevada importância econômica para diversas culturas agrícolas, especialmente hortaliças, leguminosas, ornamentais e algumas frutíferas. Esta espécie apresenta elevado potencial de adaptação a diferentes condições climáticas e alta capacidade reprodutiva, o que favorece o desenvolvimento de populações resistentes a inseticidas e a ocorrência de surtos populacionais.

Morfologia e Biologia
Os adultos medem aproximadamente 1 a 1,5 mm de comprimento, apresentam corpo amarelado recoberto por pulverulência cerosa esbranquiçada e asas translúcidas. Os ovos, inicialmente de coloração branca, tornam-se amarelados ou acinzentados com o desenvolvimento embrionário, sendo depositados na face abaxial das folhas.
O ciclo biológico, sob condições favoráveis de temperatura (25–30 °C), pode ser completado em 18 a 25 dias, com quatro estágios ninfais (denominados ínstares) antes da emergência do adulto. O hábito gregário e a elevada taxa de reprodução permitem a sobreposição de gerações ao longo do ano, especialmente em ambientes protegidos ou em áreas de cultivo contínuo.

Danos Diretos e Indiretos
Os danos diretos resultam da sucção da seiva floemática, causando clorose, murcha e redução do vigor da planta, o que compromete a fotossíntese e a produtividade. A excreção de honeydew (exsudato açucarado) favorece a proliferação de fumagina (Capnodium spp.), prejudicando a interceptação luminosa e agravando a perda de eficiência fisiológica.
Os danos indiretos, contudo, representam o maior impacto econômico, uma vez que B. tabaci atua como vetor de mais de uma centena de viroses, incluindo o vírus do mosaico dourado-do-feijoeiro (Bean golden mosaic virus – BGMV) e o vírus do mosaico-amarelo-do-tomateiro (Tomato yellow leaf curl virus – TYLCV), altamente destrutivos para diversas culturas.
Manejo Integrado
O controle eficiente da mosca-branca deve ser baseado em estratégias de Manejo Integrado de Pragas (MIP), combinando métodos culturais, biológicos e químicos de forma racional:
- Controle cultural – Rotação de culturas com espécies não hospedeiras; eliminação de plantas voluntárias e hospedeiras alternativas; sincronização de plantio para evitar sobreposição de culturas suscetíveis; uso de cultivares tolerantes ou resistentes.
- Controle físico e mecânico – Barreiras vivas, telas anti-insetos e armadilhas adesivas amarelas para monitoramento populacional.
- Controle biológico – Utilização de inimigos naturais como parasitoides (Encarsia formosa, Eretmocerus mundus) e predadores (coccinelídeos, crisopídeos e percevejos predadores).
- Controle químico – Uso criterioso de inseticidas registrados, respeitando a rotação de princípios ativos com diferentes mecanismos de ação, conforme classificação do IRAC, para retardar o desenvolvimento de resistência. Aplicações devem ser orientadas por amostragem e níveis de ação, visando reduzir impactos sobre inimigos naturais e polinizadores.
A mosca-branca, devido à sua versatilidade biológica e elevada capacidade de transmissão de viroses, constitui um dos principais desafios fitossanitários da agricultura tropical e subtropical. O manejo efetivo requer vigilância constante, monitoramento técnico e adoção de práticas integradas e sustentáveis, de modo a preservar a produtividade, reduzir custos e minimizar impactos ambientais.
