Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Mosca-da-carambola (Bactrocera carambolae)

A mosca-da-carambola (Bactrocera carambolae Drew & Hancock), nativa da Indonésia, Malásia e Tailândia, foi coletada pela primeira vez na América do sul no Suriname em 1975.

Sendo uma praga quarentenária de extrema relevância para a fruticultura e para a defesa sanitária vegetal no Brasil.

Este inseto trata-se de um díptero da família Tephritidae, com elevado potencial de dispersão, ampla gama de hospedeiros, além de grande capacidade reprodutiva, características que a tornam uma ameaça significativa à produção agrícola e ao comércio internacional de frutas frescas além de ter o poder para reduzir ou inibir a expansão de áreas cultivadas com frutíferas nas regiões onde a praga estiver estabelecida.

Tratando do ciclo de vida da praga, o período de ovo dura em média 22 dias, em condições climáticas favoráveis, em temperatura média de 26 ºC e 70% de Umidade relativa do ar.

Os ovos levam de um a dois dias para eclodir, o estágio larval dura de seis a nove dias e o de pulpa, de oito a nove dias. Os adultos atingem a maturidade sexual oito a dez dias após a emergência. O tempo mínimo de geração é de aproximadamente 30 dias.

As fêmeas realizam puncturas em frutos verdes ou próximo à maturação e podem depositar de um a dez ovos imediatamente abaixo do pericarpo. As larvas passam por três estágios dentro do fruto, alimentando-se da polpa e produzindo galerias. No final do terceiro estágio, elas deixam o fruto, o que em geral ocorre quando ele já está caído no solo. O empupamento ocorre no solo a 2 a 7 cm de profundidade. A duração do período pupal depende da temperatura e da umidade do solo. Os adultos emergem dos pupários e inicial atividade e voo após a expansão plena de suas asas.

Machos e fêmeas procuram ativamente alimento e atingem a maturidade sexual com idade entre 8 e 12 dias. Eles se alimentam de frutos em decomposição, néctar de plantas, excremento de aves, secreções de afídeos e outras substâncias. Necessitam de proteína para maturação de ovócitos e espermatozoides. Ambos os sexos parecem responder bem a atrativos alimentares, embora hipoteticamente as fêmeas devam ser mais atraídas, devido à sua necessidade de proteína para a produção de ovos.

As fêmeas ovipositam em frutos verdes saudáveis e realizam a punctura para deixar seus ovos abaixo da epiderme dos frutos podendo colocar ate três mil ovos em todo o ciclo de vida em condições de laboratório, embora se considere que de 1.200 a 1.500 seja o número usual durante a sua vida, em condições naturais.

Para a cópula, as fêmeas são atraídas para os leques formados pelos machos, que apresentam um comportamento de chamada com o propósito de atraí-las. A cópula da mosca-da-carambola ocorre imediatamente antes de escurecer, quando a intensidade luminosa torna-se menor e em geral ocorre na planta hospedeira, acredita-se que as primeiras cópulas ocorrem geralmente após 18 dias da emergência.

As fases do ciclo da mosca-da-carambola (ovo, 3 estágios larvais, pupa e adulto) até a fase reprodutiva, podem ser completadas entre 30 e 45 dias. Os adultos podem permanecer vivos até 125 dias. O tempo de vida varia com a temperatura e a disponibilidade de alimento.

Adulto de ambos os sexos apresentam grande capacidade de voo e podem percorrer longas distâncias em caso de falta de hospedeiros ou alimento. Por outro lado, tendem a permanecer nos locais em que emergiram quando encontram alimentos.

Essa espécie ataca principalmente frutos de carambola (Averrhoa carambola), mas apresenta polifagia, que é a capacidade de um inseto-praga se alimentar de uma ampla variedade de plantas hospedeiras, pertencentes a diferentes famílias botânicas infestando diversas frutíferas de importância econômica, como manga, goiaba, acerola, caju, citros, jambo e outras espécies tropicais, além de também infestar frutíferas não tão comerciais. A fêmea realiza a oviposição diretamente no fruto, onde as larvas se desenvolvem alimentando-se da polpa, provocando danos diretos que resultam em perda de qualidade, apodrecimento precoce e queda dos frutos, inviabilizando sua comercialização.

O motivo da mosca da carambola ser um inseto praga tão preocupante para toda a cadeia produtiva por apresentar três características principais que, dão não só a ela, mas como todos os indivíduos tefritídeos, o status de espécie invasiva com grande potencial de colonização:

  1. Alta e rápida taxa de crescimento, que permite aumento dramático da população em curtos períodos de tempo;
  2. Alta capacidade natural de dispersão, dada pela sua boa capacidade de voo e pela busca ativa de hospedeiros, quando estes não se encontram disponíveis na área onde a população está instalada;
  3. Alta dispersão antrópica, ou seja, ao movimento, espalhamento ou introdução de espécies (plantas, animais ou microrganismos) em novas áreas, facilitado direta ou indiretamente pela atividade humana, dispersão mediada pelo homem que ignora barreiras naturais (como montanhas ou oceanos), permitindo que organismos colonizem novos habitats. Como os estágios de ovo e de larva ocorrem necessariamente dentro do fruto, é muito comum as pessoas transportarem frutas de um local para o outro facilitando assim sua dispersão por longas distâncias.

Já do ponto de vista fitossanitário, a presença da B. carambolae impõe severas restrições quarentenárias, tanto no mercado interno quanto nas exportações, uma vez que países importadores adotam medidas rigorosas para evitar a introdução dessa praga em áreas livres. No Brasil, sua ocorrência é oficialmente registrada em áreas do estado do Amapá, Roraima e partes do Pará, estando sob constante vigilância dos órgãos oficiais de defesa agropecuária de todos os estados da nação.

O manejo da mosca-da-carambola exige uma abordagem integrada, baseada nos princípios do Manejo Integrado de Pragas (MIP), sendo que as principais estratégias incluem o monitoramento populacional com armadilhas contendo atrativos específicos, a coleta e destruição de frutos infestados, o controle químico racional, o uso de iscas tóxicas, além de medidas legais como a restrição do trânsito de frutos hospedeiros provenientes de áreas infestadas.

A atuação da defesa sanitária vegetal é fundamental para a contenção e eventual erradicação da praga, envolvendo ações de educação sanitária, fiscalização, monitoramento contínuo e adoção de planos de contingência. O engajamento dos produtores, técnicos e instituições é indispensável para o sucesso dessas ações, uma vez que a mosca-da-carambola representa não apenas um problema agronômico, mas também um risco estratégico à sustentabilidade da fruticultura nacional.

Dessa forma, o controle efetivo da Bactrocera carambolae depende de esforços coordenados entre pesquisa, extensão rural e defesa agropecuária, visando preservar a sanidade vegetal, proteger a produção agrícola e garantir a competitividade do Brasil nos mercados nacional e internacional.

Assuntos Relacionados
Mosca-da-carambola (Bactrocera carambolae)

Mosca-da-carambola (Bactrocera carambolae)

A mosca-da-carambola (Bactrocera carambolae Drew & Hancock), nativa da Indonésia, Malásia e Tailândia, foi coletada pela primeira vez na América

Spodoptera frugiperda

Spodoptera frugiperda

A Spodoptera frugiperda, popularmente conhecida como "lagarta do cartucho", possui um ciclo de vida que se divide em quatro estágios:

Plantas Forrageiras – Características Desejáveis

Plantas Forrageiras – Características Desejáveis

A escolha de plantas forrageiras para pastagens e corte de forragem é um fator determinante para a produtividade e sustentabilidade

Diabrotica speciosa: Biologia, Plantas Hospedeiras, Inimigos Naturais e Manejo Integrado

Diabrotica speciosa: Biologia, Plantas Hospedeiras, Inimigos Naturais e Manejo Integrado

A Diabrotica speciosa, conhecida popularmente como vaquinha verde-amarela na fase adulta e larva-alfinete na fase jovem, é um inseto da