A escolha de plantas forrageiras para pastagens e corte de forragem é um fator determinante para a produtividade e sustentabilidade dos sistemas pecuários. Um bom material deve combinar alta produção, qualidade nutricional e adaptabilidade às condições ambientais e de manejo, assim, é de extrema importância que o engenheiro agrônomo, zootecnista ou médico veterinário possa saber alguns fatores que o ajudaram na escolha da melhor espécie para determinada situação.
Para se escolher bem a forrageira, deve-se prestar atenção nos seguintes fatores:
1. Elevada Produção de Forragem
Plantas forrageiras de alto rendimento permitem maior taxa de lotação e fornecem forragem suficiente para atender às exigências nutricionais dos animais. A produção depende de fatores como condições edafoclimáticas, manejo, irrigação e adubação, sendo exemplificada por espécies como Brachiaria brizantha cv. Marandu, Pennisetum, Panicum e palma forrageira (Opuntia e Nopalea).

2. Alta Relação Folha/Caule
Plantas com maior proporção de folhas apresentam forragem de melhor qualidade, devido ao menor teor de fibras e maior concentração de nutrientes, o que aumenta digestibilidade e consumo voluntário pelos animais. A relação folha/caule varia conforme espécie, cultivar, estágio de crescimento, manejo e irrigação, sendo crítica quando atinge o valor 1, momento em que o consumo e valor nutritivo podem ser comprometidos.

3. Rapidez na Rebrotação e Velocidade de Estabelecimento
Plantas com rápido crescimento após corte ou pastejo permitem múltiplas colheitas por ano e reduzem a emergência de espécies indesejáveis. Gramíneas prostradas, como Cynodon, mantêm meristemas próximos ao solo, favorecendo rápida rebrotação. Já plantas cespitosas, como capim-elefante, dependem de reservas de carboidratos e área foliar residual para manter a velocidade de crescimento.
4. Boa Distribuição da Produção de Forragem
Idealmente, a produção de forragem deve ocorrer de forma contínua ao longo do ano. A sazonalidade, causada por fatores ambientais (temperatura, fotoperíodo, disponibilidade hídrica) e manejo (irrigação e adubação), impacta diretamente o planejamento pecuário. Plantas como capim-xaraés e palma forrageira apresentam distribuição mais regular, garantindo forragem mesmo em períodos críticos de seca.

5. Perenidade
A capacidade de rebrotação após cortes ou pastejo garante a persistência da planta e reduz custos de formação de pastagens. A perenidade depende de meristemas remanescentes, índice de área foliar residual e reservas de carboidratos. É essencial para a viabilidade econômica de sistemas extensivos e intensivos.
6. Tolerância a Extremos Climáticos
Plantas forrageiras devem suportar variações de temperatura e umidade. Gramíneas tropicais (C4) toleram altas temperaturas, enquanto espécies como Capim-buffel resistem a secas severas. Palmas forrageiras (Opuntia e Nopalea) suportam até 40 °C, garantindo acúmulo de forragem mesmo em condições adversas.
7. Tolerância a Pragas e Doenças
A resistência a pragas e patógenos aumenta a estabilidade do sistema. Exemplos incluem Brachiaria brizantha cv. Marandu, resistente à cigarrinha, e a palma Orelha de Elefante Mexicana, tolerante à cochonilha do carmim. Cultivares suscetíveis podem comprometer produtividade e exigir substituição rápida.
8. Produção de Sementes de Boa Qualidade e Facilidade de Colheita
A propagação por sementes reduz custos de implantação e permite maior rapidez na ocupação das áreas. Cultivares como Pennisetum cv. Paraíso e Cynodon cv. Vaquero apresentam boa produção de sementes, enquanto espécies como capim-elefante e capim-buffel ainda enfrentam limitações de colheita e viabilidade.

9. Boa Resposta à Adubação
O potencial de resposta à adubação, especialmente nitrogenada, é essencial para maximizar a produção de forragem. Capins tropicais, capim-elefante e palma forrageira apresentam incrementos significativos de matéria seca com doses adequadas de nutrientes, sendo importante alinhar a adubação ao suprimento hídrico e à capacidade de absorção da planta.
10. Valor Nutritivo e Persistência do Valor Nutritivo
Plantas com alto teor de proteína bruta e digestibilidade garantem consumo voluntário adequado e bom desempenho animal. Leguminosas geralmente apresentam maior valor nutritivo e menor perda de qualidade com a idade em relação às gramíneas. Palmas forrageiras mantêm digestibilidade mesmo após 21 dias de armazenamento, otimizando o manejo da mão de obra.
11. Tolerância a Corte e Pastejo
A capacidade de perfilhar após corte ou pastejo permite maior flexibilidade de manejo. Gramíneas cespitosas, como capim-elefante, não toleram lotação contínua, mas respondem bem à lotação rotativa. Leguminosas, como Stylosanthes, apresentam maior acúmulo de forragem quando submetidas a cortes em intervalos adequados.
12. Boa Aceitabilidade pelos Animais
A ingestão voluntária da forragem é determinante para o aproveitamento do valor nutritivo. Compostos secundários, barreiras físicas e altura das folhas podem reduzir a aceitabilidade. Plantas como Paspalum enfrentam restrições de expansão devido à preterição pelos animais, enquanto o Calopogonium mucunoides apresenta aceitabilidade variável entre estações do ano.
Com isso, a seleção de plantas forrageiras deve considerar o equilíbrio entre produção, qualidade nutricional, adaptabilidade e manejo. Cultivares perenes, tolerantes a clima, pragas e pastejo, com rápida rebrotação, bom valor nutritivo, sementes viáveis e aceitabilidade pelos animais, são essenciais para a eficiência e sustentabilidade dos sistemas pecuários no Brasil.
