A Diabrotica speciosa, conhecida popularmente como vaquinha verde-amarela na fase adulta e larva-alfinete na fase jovem, é um inseto da família Chrysomelidae, amplamente distribuído na América do Sul, com grande relevância na agricultura devido ao seu potencial de dano em diversas culturas.
Biologia e Ciclo de Vida
A Diabrotica speciosa possui metamorfose completa, passando pelos estágios de ovo, larva, pupa e adulto.
Ovo
Os ovos são ovais e de coloração amarela, depositados individualmente ou em pequenos agrupamentos no solo ou sobre partes das plantas hospedeiras. O período de incubação varia de 5 a 10 dias, dependendo das condições ambientais.
Larva (Larva-alfinete)
A fase larval ocorre no solo e é a mais danosa para as culturas subterrâneas. A larva tem corpo alongado, coloração esbranquiçada e cápsula cefálica escura. Alimenta-se principalmente de raízes e tubérculos, comprometendo o desenvolvimento das plantas e reduzindo a produtividade. Esta fase dura de 15 a 30 dias, dependendo da temperatura e umidade do solo.

Pupa
A pupalização ocorre no solo dentro de uma câmara pupal. O estágio pupal tem duração de 7 a 15 dias, ao término do qual emerge o adulto.

Adulto (Vaquinha verde-amarela)
Os adultos são besouros de aproximadamente 6 mm de comprimento, com elítras verde-metálicas e padrão de manchas amarelas característico. Alimentam-se de folhas, flores e frutos, causando desfolhamento e comprometendo o rendimento das culturas. A longevidade dos adultos pode variar de 30 a 60 dias.

Plantas Hospedeiras
A Diabrotica speciosa é uma praga altamente polífaga, atacando diversas culturas de interesse econômico, tais como:
- Soja (Glycine max)
- Milho (Zea mays)
- Feijão (Phaseolus vulgaris)
- Batata (Solanum tuberosum)
- Trigo (Triticum aestivum)
- Tomate (Solanum lycopersicum)
- Algodão (Gossypium hirsutum)
- Amendoim (Arachis hypogaea)
- Girassol (Helianthus annuus)
- Melancia (Citrullus lanatus)
- Abóbora (Cucurbita spp.)
- Pepino (Cucumis sativus)
A diversidade de hospedeiros torna o controle da praga um grande desafio, pois sua presença pode ser constante ao longo do ano devido à ampla disponibilidade de alimento.
Inimigos Naturais
A praga possui diversos agentes de controle biológico, incluindo:
Predadores
- Joaninhas (Coccinellidae): Consomem ovos e larvas da Diabrotica speciosa.
- Tesourinhas (Dermaptera): Alimentam-se de ovos e larvas.
- Percevejos predadores (Reduviidae e Pentatomidae): Atacam larvas e adultos.
Parasitoides
- Tachinidae (Diptera): Algumas espécies de moscas parasitas depositam ovos no corpo das larvas ou adultos, levando à morte do hospedeiro.
- Hymenoptera (Braconidae e Ichneumonidae): Parasitam ovos e larvas.
Patógenos
- Bacillus thuringiensis (Bt): Pode ser usado no controle biológico.
- Fungos entomopatogênicos (Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae): Causam epizootias na população da praga.
Manejo e Controle
Para um manejo eficaz da Diabrotica speciosa, recomenda-se a adoção de estratégias integradas:
Controle Cultural
- Rotacão de culturas: Alternar culturas não hospedeiras para reduzir a população do inseto.
- Plantio direto: Minimiza a exposição do solo e reduz a oviposição.
- Eliminação de plantas hospedeiras espontâneas: Remove refúgios e fontes de alimento para a praga.
Controle Biológico
- Uso de parasitoides e predadores naturais: Favorecer a presença de inimigos naturais.
- Aplicacão de fungos entomopatogênicos: Pode ser realizada via pulverização no solo ou foliar.
Controle Químico
- Uso de inseticidas registrados: Inseticidas à base de neonicotinoides, piretróides e organofosforados podem ser utilizados, com cautela para evitar resistência.
- Tratamento de sementes: Reduz o ataque inicial da praga.
- Pulverizações foliares: Aplicadas conforme monitoramento e nível de dano econômico.
Controle Físico e Alternativo
- Barreiras físicas: Telas ou mulch podem reduzir o acesso da praga.
- Armadilhas adesivas amarelas: Capturam adultos e auxiliam no monitoramento.
- Uso de extratos vegetais: Alguns extratos de neem e outras plantas possuem potencial inseticida.
Assim, a Diabrotica speciosa representa uma das principais ameaças à produção agrícola em diversas culturas. O conhecimento detalhado sobre sua biologia, hospedeiros, inimigos naturais e formas de controle é essencial para a implementação de um manejo eficaz. A adoção de um programa de Manejo Integrado de Pragas (MIP), combinando estratégias culturais, biológicas, químicas e físicas, é a melhor abordagem para minimizar os danos e garantir a sustentabilidade da produção agrícola.
