O manejo eficiente de plantas daninhas é um dos desafios mais críticos para a produção agropecuária sustentável. O uso de herbicidas seletivos e sistêmicos, como o triclopir, tem se mostrado uma ferramenta fundamental para o controle de espécies invasoras, especialmente em áreas de pastagens e na cultura do arroz irrigado.

Características do Triclopir
O triclopir é um herbicida pertencente ao grupo químico das piridinas, classificado como um mimetizador de auxinas (Grupo O – HRAC). Atua como uma auxina sintética, promovendo crescimento desordenado nas plantas suscetíveis, resultando em sua morte.
Mecanismo de Ação e Sintomatologia
O triclopir é um herbicida sistêmico, sendo absorvido principalmente por via foliar, com translocação para os tecidos meristemáticos. Após a aplicação, os sintomas característicos incluem:
- Epinastia (dobramento anormal das folhas e ramos);
- Inibição do crescimento;
- Clorose nos pontos de crescimento;
- Necrose dos tecidos vegetais;
- Morte lenta das plantas suscetíveis, ocorrendo entre 3 a 5 semanas após a aplicação.
Comportamento no Solo
- Adsorção e lixiviação: Não é fortemente adsorvido ao solo, dependendo do teor de argila e matéria orgânica. O coeficiente de adsorção (Koc) médio do éster butoxietílico é de 780 mL/g.
- Degradação: O triclopir é degradado por microrganismos presentes no solo.
- Fotodegradação: Decompõe-se rapidamente em solução aquosa, com meia-vida de aproximadamente 10 horas a 25°C.
- Volatilização: Considerada desprezível.
- Persistência no solo: A meia-vida varia entre 10 e 46 dias, dependendo das características físico-químicas do solo, temperatura e umidade.
Espécies Suscetíveis
O triclopir apresenta alta eficiência no controle de diversas espécies arbustivas e herbáceas invasoras em pastagens e culturas agrícolas. Algumas das principais espécies controladas incluem:
Plantas Arbustivas e Arbóreas:
- Acacia farnesiana (espinheiro);
- Bauhinia corifolia (angiquinho);
- Eucalyptus urograndis (eucalipto);
- Myrcia bella (murta);
- Orbinya phalerata (pindoba);
- Qualea parviflora (pau-terra);

Plantas Herbáceas:
- Aeschynomene rudis (miroró);
- Lantana camara (cambará);
- Solanum lycocarpum (lobeira);
- Solanum paniculatum (jurubeba);
- Spermacoce alata (erva-quente);
- Vernonia polyanthes (assa-peixe).
Recomendação de Uso
O triclopir pode ser aplicado em diferentes sistemas produtivos, sendo amplamente utilizado em pastagens e no cultivo de arroz irrigado. As doses recomendadas variam conforme a cultura e o método de aplicação.
1. Pastagens
- Objetivo: Controle de espécies lenhosas e arbustivas invasoras.
- Doses recomendadas:
- Para Acacia farnesiana, Lantana camara, Solanum paniculatum, Spermacoce alata e Vernonia polyanthes: 1,5 – 2,0 L/ha do produto comercial.
- Para Orbinya phalerata: 5% em óleo diesel (5 L de Triclopir diluídos em 95 L de óleo diesel), aplicando-se 5 mL em plantas jovens e 10 mL em plantas adultas na gema apical.
- Métodos de aplicação:
- Aérea: Utilização de aeronaves agrícolas, com volume de aplicação entre 30 e 50 L/ha.
- Terrestre: Aplicação costal manual ou com pistola veterinária dosadora.
- Condições climáticas ideais:
- Vento entre 0 a 6 km/h;
- Umidade relativa do ar acima de 50%;
- Temperatura abaixo de 30°C.
2. Arroz Irrigado
- Objetivo: Controle de Aeschynomene rudis.
- Doses recomendadas: 0,375 – 0,5 L/ha do produto comercial.
- Métodos de aplicação:
- Terrestre: Pulverização com bicos tipo leque (80.02, 80.03, 80.04, 110.02, 110.03, 110.04);
- Aérea: Pulverização com bicos cônicos, volume de 30 a 50 L/ha.
- Condições climáticas ideais:
- Aplicação em pós-emergência das plantas infestantes e da cultura, antes do emborrachamento;
- Área tratada deve estar drenada no momento da aplicação.
Intervalo de Segurança
O triclopir não possui intervalo de segurança determinado, devido à modalidade de emprego em pastagens e arroz irrigado.
Precauções e Restrições de Uso
- Evitar contato com culturas sensíveis, como dicotiledôneas em geral.
- Descontaminar completamente os equipamentos utilizados na aplicação antes de usá-los em outras culturas.
- Monitoramento do vento e da direção da aplicação para evitar deriva em áreas próximas.
- Não realizar aplicações aéreas a menos de 2000 metros de culturas sensíveis.
O triclopir é um herbicida altamente eficiente no controle de espécies lenhosas e herbáceas invasoras em pastagens e no cultivo do arroz irrigado. Seu uso deve seguir rigorosamente as recomendações técnicas para garantir máxima eficiência e segurança ambiental. A adoção de boas práticas no manejo de herbicidas, incluindo a rotação de mecanismos de ação, é essencial para minimizar o risco de resistência de plantas daninhas e garantir a sustentabilidade dos sistemas produtivos.
A utilização do triclopir deve ser acompanhada de assistência técnica especializada para assegurar que sua aplicação ocorra dentro dos parâmetros recomendados, promovendo o máximo retorno econômico e ambiental para produtores e profissionais do setor agropecuário.
